É usual no final do ano as pessoas pensarem, escreverem sobre como têm sido a vida delas ao longo do ultimo ano. Eu não sou desse tipo de pessoa.
Eu gosto de pensar sobre coisas que eu observo no decorrer da minha vida, e no decorrer do que vejo, ou do que eu sei sobre ela, comparar com minha vida, ou com essas coisas.
Esse ano foi muito trabalhado, e pra mim, pouco rendido. É, isso mesmo. Pra mim, não rendeu nada!
Nos últimos meses, quando começou o Outono por aqui, eu pude perceber algumas coisas, que no decorrer do ano eu realmente não vi.
Quando a Primavera, em meados de Abril, as árvores começaram a renascer - e com isso eu comecei a ter que ficar dopada de remédios, e isso não vem ao caso. - e a tampar, separar as casas, - pois muitas delas usam as árvores como cerca, - em pleno calor do Verão, as pessoas se esfriavam entre si. Com árvores, sem vizinhos. Era cada um no seu mundinho. Sua TV, seu iPad, seu computador, seu MP3, seu carro com ar-condicionado. E só. Já o Outono chegou e deixou todos despidos. Sem árvores, as pessoas procuravam calor humano, cumprimentando o vizinho de janela, segurando portas, e por aí vai...
É engraçado, como a gente vê claramente como é mais fácil a gente perceber o que fazemos, quando a gente precisa de outra pessoa pra nos dar aquilo que precisamos. Em outras palavras, buscar se aquecer do frio do Inverno rigoroso daqui, em coisas simples, mas que no verão, por já ter muito calor, fica meio inviável pra fazer. Um cumprimento ao longe, um bom dia, boa noite, por mais simples que sejam, faz com que sintamos que somos lembrados. Por mais que tenhamos família, às vezes, o mundo lá fora já é complicado demais pra se suportar sozinho, e acredite, um simples aceno de mão, pode mudar muita coisa num dia.
A gente tem mania de só ser aberto à isso, quando acontece algo extremo, que abala nossa estrutura física e emocional, citarei um caso que aconteceu aqui, do lado da minha casa, praticamente. A escola Sandy Hook Elementary, equivalente ao primário do Brasil. Onde foram mortas mais de 25 pessoas, e dentre elas, 20 crianças onde as mais velhas tinham 7 anos de idade. Eu tive a oportunidade, que sinceramente eu não queria, de passar por Newtown, enquanto a cidade se despedia dessas vítimas. As ruas intransitáveis, pessoas, no frio de poucos graus nas ruas, nas portas das igrejas onde ocorriam os funerais, prestando solidariedade, prestando homenagens. Cartazes, presentes, coisas que ninguém, ou quase ninguém tem tempo de fazer, ou nem se lembra de fazer, quando está tudo "bem", tudo "ok". Coisinhas muito simples. Mas que mudam a vida, principalmente da gente. De todos os meus amigos, ninguém sabe, ao menos da minha boca, que a cidade onde aconteceu essa tragédia, é do lado da minha. Ninguém se importa. Ninguém sente.
Pra mim, é até engraçado, porque eu sempre me senti triste quando via esse tipo de notícia, mas eu nunca estive tão próxima a ela.
Esse ultimo ano, será um ano pra guardar com carinho na memória, não as coisas ruins, e acredite, elas aconteceram aos montes, mas as coisas boas. As pessoas que conheci, o tanto que aprendi, o giro de 360º graus que minha vida deu. Viajar pra NY, Terminar um namoro, viajar pra Boston, aprender a dirigir, bater o carro - e dar perca total -, viajar pra Pensilvânia, ganhar outro carro. Conhecer muita gente legal nesse meio tempo, conhecer gente mais ou menos e aprender com a vida que faz parte, mas o mais importante, ganhar uma família nova.
Ter mudado pra cá, durante esse ano, se for colocar na balança, fica empatado os prós e contras. Foram perdas irreparáveis e ganhos imensuráveis. Saudades eternas da minha família, dos meus grandes amigos, de um amor que eu deixei pra trás.
Foram erros atrás de erros, mas muitos aprendizados também.
Pra completar, eu quero férias, mas daí já é outra história.