Gestos são palavras que a boca não diz
Invadem os ouvidos, a carne e a alma
Urgentes lampejos da irracionalidade
Leves como uma pena
Insolentes como uma frase desmedida.
Adianta-te que teus gestos são a
Necessidade do espectro
Irremediavelmente teu, o meu
Frágil que é, subjugado
Apaixonado por ti...
Vês, enxerga, que a minha
Alma não é mais minha, a minha
Carne não é mais carne é o
Hábito, escultura sob tuas mãos.
Obsedas-me com esse teu rir de esmalte
Debalde desconhecer
A ânsia que me invade
Se sorris, se me mostras
Insólita brancura... Intuo
Liberto-me, sorrio
Vivo por que tenho vida
A vida que tu me dás.