domingo, 19 de julho de 2009
Você
Normal!
Vindo de mim, isso é perfeitamente normal.
—Visto que sou um ser pensante.—
Mas dessa vez foi diferente, mais evidente.
É evidente o que eu quero
E simples também:
Você.
Foi tão simples isso acontecer,
Tudo aconteceu tão rápido,
Que até hoje me pergunto:
Como?
Como apenas uma troca de olhar foi me mudar,
Mudar a minha vida, as minhas concepções,
Meus instintos, meus desejos.
Meu mundo pára, quando eu ouço sua voz.
Sinto o mundo inteiro olhar para nós quando estou em seus braços.
Sinto-me sozinha em meio à multidão, sem você ao meu lado,
Sinto frio, sem o seu calor a me aquecer,
Não enxergo, sem a luz de seus olhos a iluminar o meu caminho.
A saudade é como uma navalha afiada, um fio cortante,
Que rasga aos poucos, a medida em que vai crescendo.
Mas eu não ligo pra ela que vai me matando aos poucos,
Sei que um dia, terei o remédio para curá-la,
E cicatrizar as feridas que um dia a sua falta me fizeram.
O que seria esse remédio?
A mesma resposta de antes:
Você.
((O meu veneno e antídoto))
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Meu Lugar
Já é de praxe nossos olhares fixos,
Um iluminando o outro.
Seu rosto próximo ao meu,
Sua respiração pesada me mostrando o tempo que passa.
Seu corpo, muitas vezes passando calor para o meu.
No meio desse costume todo, meu mundo pára
De repente o que era normal, passou a me incomodar...
Seus olhos em mim, nunca eram suficientes,
A distancia entre nossos rostos passou a ser grande demais,
Sua respiração passou a ser o som que me acalmava,
Seu corpo, um vício, desejo que nunca se satisfaz.
Acho que me apaixonei.
Seus olhos encontram os meus, ainda consigo ver o que via antes
Mas você não sabe ler o que os meus dizem, gritam.
Você se aproxima mais, na tentativa de decifrar o que pensa que vê.
Aproxima-se mais, me incita.
Meus olhos perdem a esperança,
Já não sabem mais como dizer o que querem...
Você me beija, me abraça e me acolhe em seus braços.
Seu beijo macio, me acalma, me alucina
Seus lábios sabem exatamente o que fazer,
Qual caminho percorrer.
Suas mãos apertam contra meu corpo contra o seu,
Um encaixe perfeito.
Poderia ficar ali o restante da minha vida,
No meu lugar.
domingo, 12 de julho de 2009
O Reencontro
Eram quase uma da tarde e ela acabara de acordar, seus olhos pesados de sono, sua cabeça ainda não raciocinava muito bem.
Noite passada ela passara a em claro, como das outras vezes, mas dessa vez foi pior.
Era apenas uma da manhã e seus pesadelos voltaram a assustá-la, a noite fora longa para poucos pensamentos “férteis”. Não conseguia ler, trabalhar, compor, dançar e muito menos se concentrar. Ela já havia se acostumado com aquilo, desde que ele se foi suas noites jamais foram as mesmas. Seus sonhos se transformavam em pesadelos em um piscar de olhos e a partir daí, já era, mais uma noite acordada.
Há três dias recebera um pacote, não tivera coragem de abri-lo.
A falta que ele fazia, a ausência só dera lugar à saudade. Saudade que quanto mais tempo de duração tinha, mais crescia, mais forte ficava.
Ela ainda estava de pijama, não tomara banho como de costume. Abriu o pacote sem perceber, continha um CD, ela olhou em volta e quando deu por si estava só. Estava assim desde que acordara, sua família estava comemorando a volta, que para ela era o aniversário de um ano de depressão, estava sem um pingo de vontade de comemorar.
Ligou o som e colocou o CD, foi para a cozinha com o controle remoto em mãos. Quando o CD começou a rodar ela quase caiu, era a voz dele, na musica que eles haviam feito juntos, ela se sentou e começou a escutar atentamente.
O conteúdo do CD a havia deixado com um misto de um monte de sentimentos: raiva, alegria, esperança e tristeza. Ela não sabia o que fazer.
Depois que a gravação acabou, ela achou que acabou, ela se assusta ainda mais.
Havia uma “mixagem” da frase que ela mais gostava de ouvir da boca dele quando estavam juntos. Ela quase caiu da cadeira quando escutou, seu coração se alegrou e ela não se cansava de escutar. Escutava e voltava, escutava e voltava.
A meia hora daquele local um telefone toca:
— Oi!
— Aqui, você vai em casa?
— Se precisar?!
— Pega os violões lá, eu os esqueci!
— Pego sim!
— E vê se tem alguém por lá ainda e arrasta pra cá.
— Tá, eu levo sim.
Ele pegou o carro e foi em direção ao apartamento.
Ela inda estava escutando a “mixagem” da gravação, era a primeira vez que ela deixava suas lembranças com ele correrem soltas: as brigas, as brincadeiras, os beijos e as declarações.
Ele entrou. Escutou o som e resolveu não chamar, entrou na cozinha e seu coração bateu mais forte, prestou atenção no que ela estava escutando e reconheceu sua própria voz na gravação.
Aproximou-se dela, para tentar tocá-la, ela de costas pra ele nem percebera a movimentação.
Mantendo-a de costas pegou o controle remoto das mãos dela e desligou o som, ela virou assustada. Frente a frente com ele sua boca não dizia mais nada, suas pernas tremiam, seu coração batia cada vez mais forte e sua respiração estava ficando ofegante.
Ele chegou mais perto dela, a casa estava em silêncio e o único som que o casal escutava era a batida do coração um do outro que estava cada vez mais forte.
Os olhos dela se encheram de lágrimas e quando iam cair face abaixo ele enxugou, o toque dele no rosto dela, ao invés de lagrimas colocou um sorriso nos olhos azuis dela.
Sua mão correu pelo rosto dela em um toque carinhoso como o vento, os olhos azuis dela se encontraram nos olhos azuis dele. Em silêncio os dois chegaram mais perto um do outro e em um encaixe perfeito, como em uma coreografia ensaiada os dois se abraçam, seus olhares não se desgrudavam, e como se houvesse tido um chamado ele a beijou, com carinho.
Ele parou de beijá-la ela abriu um lindo sorriso ainda de olhos fechados.
Sem que ela abrisse os olhos ele a beijou novamente, agora com desejo.
Seus corpos como se nunca houvessem se separado antes, conversaram como nunca, naquele apartamento silencioso. E assim enfim foram um do outro...
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Seus Lábios
Me falta a alegria de viver…
Sonhar já não faz o mesmo efeito,
Eu preciso da paz que seus lábios me trazem.
Eu preciso sentir ao menos mais uma vez.
A dor que me ronda por sua ausência,
Traz algo pior que o gosto amargo do fel
O toque macio de seus lábios nos meus
É a premonição do paraíso,
Da perdição;
Um caminho que me guio e me perco,
Absorve-me e me fortalece;
Já não é mais desejo, e sim a necessidade que me sustenta,
Como o ar que eu preciso para respirar.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Seus Olhos
Seus olhos são o maior mistério que eu já pude enfrentar, a incógnita que eu mais admiro, que mesmo me sugando todas as energias. Não me canso de olhar.
Milhares de interpretações rondam meus pensamentos, mas não sei ao certo qual deles faz mais sentido em se tratando de você.
Tudo o que eu quero nesse momento é estar frente a frente com eles, sentir a energia que seu olhar transmite, exala.
O mais exótico e banal que me faz parar, me faz sentir em um redemoinho de sentimentos e no final ainda consegue transformar tudo em uma simples e lógica linha de pensamento.
É tão claro o que você, só você sabe fazer comigo, mesmo eu me fazendo de “difícil”, com você tudo se torna fácil, claro e descomplicado.
Como você consegue? Não me pergunte, não saberei te responder.
O que acontece já faz parte de mim e já não mais consigo viver sem, sem a paz, sem as dúvidas, sem as respostas que me trazem seu olhar.
Portas da alma ou espelho? Também não sei o que eles são para mim, mas será que isso realmente é importante?
Eu não quero seus olhos para mim, nem em mim. Só os quero olhando o futuro, não precisa ser o mesmo que eu vejo, desde que seja na mesma direção que eu vejo!