quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

2012 - não é uma premonição

É usual no final do ano as pessoas pensarem, escreverem sobre como têm sido a vida delas ao longo do ultimo ano. Eu não sou desse tipo de pessoa.
Eu gosto de pensar sobre coisas que eu observo no decorrer da minha vida, e no decorrer do que vejo, ou do que eu sei sobre ela, comparar com minha vida, ou com essas coisas.
Esse ano foi muito trabalhado, e pra mim, pouco rendido. É, isso mesmo. Pra mim, não rendeu nada!
Nos últimos meses, quando começou o Outono por aqui, eu pude perceber algumas coisas, que no decorrer do ano eu realmente não vi.
Quando a Primavera, em meados de Abril, as árvores começaram a renascer - e com isso eu comecei a ter que ficar dopada de remédios, e isso não vem ao caso. - e a tampar, separar as casas, - pois muitas delas usam as árvores como cerca, - em pleno calor do Verão, as pessoas se esfriavam entre si. Com árvores, sem vizinhos. Era cada um no seu mundinho. Sua TV, seu iPad, seu computador, seu MP3, seu carro com ar-condicionado. E só. Já o Outono chegou e deixou todos despidos. Sem árvores, as pessoas procuravam calor humano, cumprimentando o vizinho de janela, segurando portas, e por aí vai...
É engraçado, como a gente vê claramente como é mais fácil a gente perceber o que fazemos, quando a gente precisa de outra pessoa pra nos dar aquilo que precisamos. Em outras palavras, buscar se aquecer do frio do Inverno rigoroso daqui, em coisas simples, mas que no verão, por já ter muito calor, fica meio inviável pra fazer. Um cumprimento ao longe, um bom dia, boa noite, por mais simples que sejam, faz com que sintamos que somos lembrados. Por mais que tenhamos família, às vezes, o mundo lá fora já é complicado demais pra se suportar sozinho, e acredite, um simples aceno de mão, pode mudar muita coisa num dia.
A gente tem mania de só ser aberto à isso, quando acontece algo extremo, que abala nossa estrutura física e emocional, citarei um caso que aconteceu aqui, do lado da minha casa, praticamente. A escola Sandy Hook Elementary, equivalente ao primário do Brasil. Onde foram mortas mais de 25 pessoas, e dentre elas, 20 crianças onde as mais velhas tinham 7 anos de idade. Eu tive a oportunidade, que sinceramente eu não queria, de passar por Newtown, enquanto a cidade se despedia dessas vítimas. As ruas intransitáveis, pessoas, no frio de poucos graus nas ruas, nas portas das igrejas onde ocorriam os funerais, prestando solidariedade, prestando homenagens. Cartazes, presentes, coisas que ninguém, ou quase ninguém tem tempo de fazer, ou nem se lembra de fazer, quando está tudo "bem", tudo "ok". Coisinhas muito simples. Mas que mudam a vida, principalmente da gente. De todos os meus amigos, ninguém sabe, ao menos da minha boca, que a cidade onde aconteceu essa tragédia, é do lado da minha. Ninguém se importa. Ninguém sente.
Pra mim, é até engraçado, porque eu sempre me senti triste quando via esse tipo de notícia, mas eu nunca estive tão próxima a ela.
Esse ultimo ano, será um ano pra guardar com carinho na memória, não as coisas ruins, e acredite, elas aconteceram aos montes, mas as coisas boas. As pessoas que conheci, o tanto que aprendi, o giro de 360º graus que minha vida deu. Viajar pra NY, Terminar um namoro, viajar pra Boston, aprender a dirigir, bater o carro - e dar perca total -, viajar pra Pensilvânia, ganhar outro carro. Conhecer muita gente legal nesse meio tempo, conhecer gente mais ou menos e aprender com a vida que faz parte, mas o mais importante, ganhar uma família nova.
Ter mudado pra cá, durante esse ano, se for colocar na balança, fica empatado os prós e contras. Foram perdas irreparáveis e ganhos imensuráveis. Saudades eternas da minha família, dos meus grandes amigos, de um amor que eu deixei pra trás.
Foram erros atrás de erros, mas muitos aprendizados também.
Pra completar, eu quero férias, mas daí já é outra história.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Coisas que aprendi na vida...

Histórias de amor duram apenas 90 minutos, no cinema um pouco mais. Lasanhas de microondas menos que isso e são feitas em 15 minutos. O tempo é sempre relativo, apaixono-me num instante, passo a vida tentando apagar o momento. Cada um sabe o que quer ser quando crescer. Poucos são os que realmente vão atrás disso e de todo resto. Amores são sempre possíveis e possivelmente vão acabar um dia. Amigos são a família que a gente escolhe e aumenta e encolhe ao longo dos anos. A verdade está sempre na boca de um peixe, não na minha, não na tua. Mentiras, mesmo que sinceras, interessam sempre e sempre mais a quem mente... e só. A chuva nem sempre lava tudo e nem sempre leva o que tentamos proteger. Poesias são sempre sensíveis e sempre deixam alguém sem entender. Nossos pais são porto seguro, mas é grande o número de pessoas que preferem Salvador. A vida nos prega peças e nós quadros pelas paredes da vida. Atitudes nos trazem esperança, e ter esperança nos traz mais atitude. Ninguém é bom o bastante que já não tenha esquecido a hora de calar. E esquecido da importância de ouvir. A hora do relógio nunca se repete, porque nunca será igual. Ter mais que ontem e menos que amanhã é o lema de quem não desistiu de si. Para uma amizade dar certo o segredo é a soma da terra com dois regadores cheios de água, um só não adianta. Num relacionamento muito mais do que sentir é preciso “regalar”. Nenhum domingo de chuva precisa ser cinza. A mistura comida pra fome, comida pros ouvidos, comida pros olhos e comida pro coração dão cor a qualquer dia preto. Todas as cores juntas acabam virando preto, o segredo é ir adicionando as cores num processo lento, pouco misturado, curtindo o arco-íris antes que o preto aponte. Todos nós temos tijolos e cada um faz o que quer com os seus. Eu construo casas, enquanto outros, muros. E existem aqueles que guardam a vida inteira sua pilha de tijolos, com medo do amanhã. E o amanhã chegou e eles não têm nada. Todos nós construtores temos obras e uma obra em comum: a vida. Há quem chore de triste. Há quem chore de rir. E há quem nem saiba a beleza de chorar. Há quem dê um sorriso com a metade da boca. Há quem seja feliz pela metade. E há quem busque de forma incessante a felicidade plena e não saiba que já a tem. Há quem perca o ar emocionado. E há quem ganhe o céu apaixonado. Há quem morra enquanto vivo. Há quem viva enquanto morto. Há milhões de pessoas no mundo que desenvolvem teorias sobre tudo. E há quem simplesmente toque seu barco pelos córregos da vida. Há quem ache isso certo. Há quem pense que aquilo é errado. E fim.

Juliana Ramiro