quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Detalhes II – Vivendo e Vendo

A ponta dos seus dedos no lóbulo da minha orelha a brincar com meu piercing.

O seu sorriso quando qualquer coisa lhe agrada.

O seu jeito de me beijar.

A forma decidida em que seus dedos emaranham o pouco cabelo da minha nuca.

O olhar inabalável que me cravas quando conversamos sério.

A forma que danças, remexendo com maestria, tudo o que tens com toda a sensualidade do mundo.

O jeito meigo de falar, quando quer um pouco mais de carinho e atenção.

A forma de me chamar pelo nome.

O jeitinho inigualável que me chamas de amor.

O encaixe perfeito das nossas mãos.

O seu cheiro, que me viciou desde o primeiro instante.

O modo impressionante com que seu corpo encaixa no meu quando nos abraçamos.

Seu jeito de contrair os músculos, quando seus pelos se eriçam por ganhares um beijo no pescoço.

Sua personalidade única.

Sua forma ainda inocente de ser feliz.

A nossa cumplicidade.

As nossas aventuras pela noite.

A nossa troca de olhares, quando ninguém percebe.

Tudo tão simples, tão normal. Se não fosse isso na minha vida, garanto que ela seria chata. Como é passar todas as noites sem você do meu lado, meu amor. Coisas bobas, mas que só acontece quando você está do meu lado, só assim, eu sinto diferença entre o que é preto e branco e colorido.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Abstruso II

Gestos são palavras que a boca não diz
Invadem os ouvidos, a carne e a alma
Urgentes lampejos da irracionalidade
Leves como uma pena
Insolentes como uma frase desmedida.


Adianta-te que teus gestos são a
Necessidade do espectro
Irremediavelmente teu, o meu
Frágil que é, subjugado
Apaixonado por ti...


Vês, enxerga, que a minha
Alma não é mais minha, a minha
Carne não é mais carne é o
Hábito, escultura sob tuas mãos.


Obsedas-me com esse teu rir de esmalte
Debalde desconhecer
A ânsia que me invade
Se sorris, se me mostras
Insólita brancura... Intuo
Liberto-me, sorrio
Vivo por que tenho vida
A vida que tu me dás.

[Janete Lacerda]