quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Reencontro de Natal

24 de dezembro, 22:46.

Ela estava escorada no bifê da copa com um copo na mão e com os pensamentos longe, nem escutou quando a campainha tocou pela primeira vez anunciando os convidados para a festa de natal, somente na segunda ou na terceira, ela mal sabia quantas vezes tinha tocado, é que ela conseguira submergir de seus pensamentos indo atender à porta.

Eles entraram cumprimentaram-na desejando um feliz natal como sempre, e ela, como uma boa anfitriã ficaria ali, pelo menos por enquanto até que o restante dos moradores da casa estivessem .

Tudo estava indo bem, um CD tocava ao fundo músicas que deixavam o ambiente com o clima propício à data em questão. Ela no entanto, ainda não conseguira dominar por completo seus pensamentos, tinha uma dificuldade imensa de prestar atenção a tudo o que acontecia ao seu redor.

Colocou o copo na mesa e simplesmente saiu. Subiu as escadas até o anexo do apartamento e foi para o seu quarto. O relógio marcava 23:27.

Ainda com seus pensamentos longe dali, ela buscava respostas para suas próprias perguntas, queria saber o porquê de várias coisas que pra ela ainda era uma incógnita.

A campainha toca assustando-a novamente, ela olha para seu relógio de pulso, 23:45:

— Aff! A festa é lá em baixo. — resmungou, mas foi atender.

Ao abrir a porta, se deparou com ele, de cabelos molhados, camisa pólo preta e uma calça jeans. Se olharam alguns instantes. Aqueles mesmos olhos verdes que tomavam a sua concentração estava bem ali, na sua frente, ao vivo, e bem a cores.

— A festa é lá em baixo... — Disse ela meio sem graça.

— Eu sei, já fui lá, mas não te vi, então resolvi subir.

— Hum... Está precisando de alguma coisa?

— Sim, estou. — Disse olhando-a nos olhos.

— Em que te posso ser útil? — Perguntou ela estendendo-lhe a mão para que ele passasse.

— Preciso daquele CD. Aquele que estávamos escutando na ultima vez em que eu estive na cidade. — Disse entrando e colocando um embrulho em cima do mármore.

— Nossa...! Eu não faço a mínima idéia de onde ele... Vem. — Disse ela seguindo para a sala de música.

Olhou para tudo e então ligou o som. Eram 5 bandejas diferentes, ela teria que abrir todas para saber onde o CD estava, achou mais fácil colocá-lo para tocar e assim abriria somente a bandeja em que o CD estava.

Se arrependimento matasse, ela estaria morta com certeza. Começando pela bandeja 1, Camila, 2, Reik, 3, Maria Gadú e 4, Ana Carolina.

— Só pode ser esse.

Olhou para ele sem graça e o entregou.

— Desculpa.

— Tudo bem, é que pediram pra eu colocar lá em baixo, na festa. A propósito, não vai descer?

— Mais tarde, na troca de presentes... — Ela olhou para o relógio de pulso. 23:58

—Claro. Já vou.

Voltaram para a cozinha, onde ele havia deixado o pacote que ele carregava quando entrou, dessa vez ele fora na frente e ela o seguiu, ainda próxima a ele.

Chegaram na cozinha e ele colocou o CD dentro de uma sacola, virando de súbito e abraçando- a. Ela se assustou, mas ainda sim correspondeu o abraço indo diretamente em seu pescoço para sentir o cheiro que tanto a fazia falta.

Eles estavam com saudade um do outro. Do abraço, do cheiro da pele, do calor que eles tinham.

Ficaram abraçados um tempo que pra eles durou a eternidade, de olhos fechados ambos esqueceram da festa, do mundo ao redor deles. Ele aproximando sua boca da dela, e sem a mínima pressa, mas com vontade de ter aquele gosto de novo nos lábios a beijou. Era visível a necessidade que eles tinham um do outro, aquele simples toque trouxe os dois de volta a uma vida esquecida há quase dois meses, quando ele se fora.

— Eu estava com saudades! — Suspirou ele no ouvido dela, sentindo-a arrepiar com aquela caricia.

— Eu também. — Disse ela finalmente olhando-o nos olhos.

Beijaram-se novamente e ficaram abraçados por mais alguns segundos. Ele olha para o relógio e a solta, com um sorriso que só ele tinha nos lábios, pegou o embrulho oferecendo-a:

— Feliz aniversário!

— Ah, não...! — Ela suspirou olhando no relógio. — Mas já?!

Ele riu de sua expressão.

Ela nem sentia mais aquele vazio que há poucos minutos atrás quase a sufocava. Ele tinha o dom de fazer isso nela, seus medos, seus anseios tudo isso se dissipava na presença dele.