quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Metamorfose

borboleta

De lagarta a borboleta.

De alguém a ALGUÉM.

De ver a vida passar a viver.

De amar a amar a sentir-se amada.

De sobreviver a amar-se a si próprio.

De sorrir a se sentir feliz.

De estar bem a sentir-se bem.

De gostar a evoluir meus gostos.

De ver a observar.

De escutar a ouvir.

De sentir a viver o que se está sentindo.

De sonhar a viver um sonho.

De medo a coragem.

De receio a “to nem aí”.

De olhar de longe a participar.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Reencontro de Natal

24 de dezembro, 22:46.

Ela estava escorada no bifê da copa com um copo na mão e com os pensamentos longe, nem escutou quando a campainha tocou pela primeira vez anunciando os convidados para a festa de natal, somente na segunda ou na terceira, ela mal sabia quantas vezes tinha tocado, é que ela conseguira submergir de seus pensamentos indo atender à porta.

Eles entraram cumprimentaram-na desejando um feliz natal como sempre, e ela, como uma boa anfitriã ficaria ali, pelo menos por enquanto até que o restante dos moradores da casa estivessem .

Tudo estava indo bem, um CD tocava ao fundo músicas que deixavam o ambiente com o clima propício à data em questão. Ela no entanto, ainda não conseguira dominar por completo seus pensamentos, tinha uma dificuldade imensa de prestar atenção a tudo o que acontecia ao seu redor.

Colocou o copo na mesa e simplesmente saiu. Subiu as escadas até o anexo do apartamento e foi para o seu quarto. O relógio marcava 23:27.

Ainda com seus pensamentos longe dali, ela buscava respostas para suas próprias perguntas, queria saber o porquê de várias coisas que pra ela ainda era uma incógnita.

A campainha toca assustando-a novamente, ela olha para seu relógio de pulso, 23:45:

— Aff! A festa é lá em baixo. — resmungou, mas foi atender.

Ao abrir a porta, se deparou com ele, de cabelos molhados, camisa pólo preta e uma calça jeans. Se olharam alguns instantes. Aqueles mesmos olhos verdes que tomavam a sua concentração estava bem ali, na sua frente, ao vivo, e bem a cores.

— A festa é lá em baixo... — Disse ela meio sem graça.

— Eu sei, já fui lá, mas não te vi, então resolvi subir.

— Hum... Está precisando de alguma coisa?

— Sim, estou. — Disse olhando-a nos olhos.

— Em que te posso ser útil? — Perguntou ela estendendo-lhe a mão para que ele passasse.

— Preciso daquele CD. Aquele que estávamos escutando na ultima vez em que eu estive na cidade. — Disse entrando e colocando um embrulho em cima do mármore.

— Nossa...! Eu não faço a mínima idéia de onde ele... Vem. — Disse ela seguindo para a sala de música.

Olhou para tudo e então ligou o som. Eram 5 bandejas diferentes, ela teria que abrir todas para saber onde o CD estava, achou mais fácil colocá-lo para tocar e assim abriria somente a bandeja em que o CD estava.

Se arrependimento matasse, ela estaria morta com certeza. Começando pela bandeja 1, Camila, 2, Reik, 3, Maria Gadú e 4, Ana Carolina.

— Só pode ser esse.

Olhou para ele sem graça e o entregou.

— Desculpa.

— Tudo bem, é que pediram pra eu colocar lá em baixo, na festa. A propósito, não vai descer?

— Mais tarde, na troca de presentes... — Ela olhou para o relógio de pulso. 23:58

—Claro. Já vou.

Voltaram para a cozinha, onde ele havia deixado o pacote que ele carregava quando entrou, dessa vez ele fora na frente e ela o seguiu, ainda próxima a ele.

Chegaram na cozinha e ele colocou o CD dentro de uma sacola, virando de súbito e abraçando- a. Ela se assustou, mas ainda sim correspondeu o abraço indo diretamente em seu pescoço para sentir o cheiro que tanto a fazia falta.

Eles estavam com saudade um do outro. Do abraço, do cheiro da pele, do calor que eles tinham.

Ficaram abraçados um tempo que pra eles durou a eternidade, de olhos fechados ambos esqueceram da festa, do mundo ao redor deles. Ele aproximando sua boca da dela, e sem a mínima pressa, mas com vontade de ter aquele gosto de novo nos lábios a beijou. Era visível a necessidade que eles tinham um do outro, aquele simples toque trouxe os dois de volta a uma vida esquecida há quase dois meses, quando ele se fora.

— Eu estava com saudades! — Suspirou ele no ouvido dela, sentindo-a arrepiar com aquela caricia.

— Eu também. — Disse ela finalmente olhando-o nos olhos.

Beijaram-se novamente e ficaram abraçados por mais alguns segundos. Ele olha para o relógio e a solta, com um sorriso que só ele tinha nos lábios, pegou o embrulho oferecendo-a:

— Feliz aniversário!

— Ah, não...! — Ela suspirou olhando no relógio. — Mas já?!

Ele riu de sua expressão.

Ela nem sentia mais aquele vazio que há poucos minutos atrás quase a sufocava. Ele tinha o dom de fazer isso nela, seus medos, seus anseios tudo isso se dissipava na presença dele.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Reviravolta I

Com o intuito de me distrair, mexi hoje na stande, no cantinho ali do lado onde estão os textos postados por aqui e me deparei novamente com o desabafo REVIRAVOLTA.

O que isso teria de interessante? Somente o fato de que algumas semanas depois de eu postar, meu iPod tentou se suicidar! Não conseguiu por causa dos meus reflexos, mas ele ficou com sérias seqüelas. A tecla play/pause nem funciona mais L.

E mais interessante ainda, o furacão passou, os restos mortais dele estão meio que descritos nos posts que eu andei fazendo ultimamente. É, ele nem passou a tanto tempo assim, mas já o superei, isso é o que importa.

Agora, tenho que arrumar a bagunça que ele fez por aqui. Por aqui que eu digo é em meu coração, a bagunça foi feia, mas já estou providenciando ordem.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Faz de Conta

Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO

Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.

Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.

Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.

Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.

Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.

Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.

Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.

Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.

Martha Medeiros

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Check Mat!

Engraçado, como, olhando pra trás, posso ver tudo o que aconteceu, mas nem por isso, meus olhos não se enchem mais de lágrimas que já lutaram para sair, e meu peito já nem dói mais.

Meu coração, que estava machucado, ao saber a verdade, se curou instantaneamente quando eu me dei conta da situação. Estive frente a frente com a minha “inimiga”, e agora sei quem te faz feliz. Tive ciúme, mas já passou.

Ainda te quero, mas também já vai passar. A mentira que se desenrolou sem que você desse conta já acabou com o “nós” antes mesmo de ele existir, e foi bom! Como você iria explicar pra ela o que estava acontecendo sem que algo pior aconteça?

Dizem que a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Se eu sou o lado mais fraco, desculpa, mas já superei a sua dor... E mais! Quero testar todas as suas versões descabidas sobre sua vida louca, sobre suas aventuras. A verdade eu já sei, mas você nem precisa saber de tal.

Foi bom, enquanto durou o que nunca aconteceu. Você já se tornou inesquecível, embora parte de você, eu já tenha esquecido. O tempo foi longo durante essa fração de segundos em que eu tentava assimilar tudo o que vi, mas vai ser curto, pra viver tudo o que você me ensinou.

Obrigada por tentar me destruir e me dar a chance de me reconstituir em cima dos meus próprios erros, podendo agora defender as pessoas que eu amo, e que realmente valem à pena, do veneno no qual, eu já até tenho anti-corpus!

Você foi importante, dentro da insignificância que tem agora, tuas palavras e falas, já nem têm efeito sobre mim, só que você nem testou e nem se tocou disso. Mas agora, quem dá as cartas sou eu. É a minha vez de mexer no tabuleiro. Eu não quero a sua rainha, vou direto ao ponto de partida, no cérebro de toda essa jogada estúpida, em que você achava estar vencendo, por causa da aparente diferença entre nós. Mas, engano seu. Observe.

Check Mat!

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector