Ah, vai! Me diz o que é o sossego...
Se eu não tenho você do meu lado.
Se quando eu abro os olhos e vejo que foi só mais um sonho,
Que a cama está grande, fria e eu, continuo sonhando acordado.
Me diz o que é o sossego se eu não tenho o calor dos teus braços,
Enquanto a noite está fria, e
Tudo o que eu queria,
Era um beijo e um abraço pra ficar aconchegado.
Me diz o que é o sossego
Se pela manhã, o teu sorriso me faz falta.
Se a cama continua vazia,
E é a solidão implacável que está em pauta.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Te Cuida
A gente sai de casa para ir numa festa ou para pegar a estrada, e antes que a porta atrás de nós se feche, ouvimos a voz deles, pai e mãe: te cuida. A recomendação sai no automático: tchau, te cuida. Um lembrete amoroso: te cuida, meu filho. A vida anda violenta, mas a gente não dá a mínima para este "te cuida" que a gente ouve desde o primeiro passeio do colégio, desde o primeiro banho de piscina na casa de amigos, desde a primeira vez que saímos a pé sozinhos. Pai e mãe são os reis do "te cuida", e a gente mal registra, tão acostumados estamos com estes que não fazem outra coisa a não ser querer nosso bem e nos amar para todo sempre, amém.
No entanto, lembro da primeira vez em que estava apaixonada, me despedindo dentro do carro, entre beijos mais do que bons, com aquele que devia ser um moleque mas para mim era um homem, e um homem estranho, uma vez que não era pai, irmão, primo, amigo ou colega. Depois do último beijo, abri a porta do carro e, antes de sair, ouvi ele dizer com uma voz grave e sedutora: te cuida.
Me cuidarei, pode deixar. Me cuidarei para estar inteira amanhã de novo, para te ver de novo, te beijar de novo. Me cuidarei para me tocares com suavidade, para nunca encontrares um arranhão sobre a minha pele. E cuidarei do meu humor, dos meus cabelos, cuidarei para não perder a hora, cuidarei para não me apaixonar por outro, cuidarei para não te esquecer, vou me cuidar.
Me cuidarei ao atravessar a rua, me cuidarei para não pegar um resfriado, me cuidarei para não ficar doente. Me cuidarei, meu amor, enquanto estiver longe dos teus olhos, nos momentos em que você não pode cuidar de mim.
Fica a meu encargo voltar pra você do mesmo jeito que você me viu hoje. É de minha responsabilidade não ficar triste, não deixar ninguém me magoar, não deixar que nada de ruim me aconteça porque você me ama e não agüentaria. Claro que me cuido, nem precisava pedir.
Te cuida, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um te amo.
Meses depois, terminado o namoro sem beijos de despedida, saio do carro trancando o choro, ainda que o rompimento tenha sido resolvido de comum acordo. Abro a porta e já estou com uma perna pra fora quando ouço, sem nenhuma aflição por mim, apenas consciência de que não teríamos mais notícias um do outro: te cuida. Me cuidei. Só chorei quando já estava dentro do elevador.
No entanto, lembro da primeira vez em que estava apaixonada, me despedindo dentro do carro, entre beijos mais do que bons, com aquele que devia ser um moleque mas para mim era um homem, e um homem estranho, uma vez que não era pai, irmão, primo, amigo ou colega. Depois do último beijo, abri a porta do carro e, antes de sair, ouvi ele dizer com uma voz grave e sedutora: te cuida.
Me cuidarei, pode deixar. Me cuidarei para estar inteira amanhã de novo, para te ver de novo, te beijar de novo. Me cuidarei para me tocares com suavidade, para nunca encontrares um arranhão sobre a minha pele. E cuidarei do meu humor, dos meus cabelos, cuidarei para não perder a hora, cuidarei para não me apaixonar por outro, cuidarei para não te esquecer, vou me cuidar.
Me cuidarei ao atravessar a rua, me cuidarei para não pegar um resfriado, me cuidarei para não ficar doente. Me cuidarei, meu amor, enquanto estiver longe dos teus olhos, nos momentos em que você não pode cuidar de mim.
Fica a meu encargo voltar pra você do mesmo jeito que você me viu hoje. É de minha responsabilidade não ficar triste, não deixar ninguém me magoar, não deixar que nada de ruim me aconteça porque você me ama e não agüentaria. Claro que me cuido, nem precisava pedir.
Te cuida, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um te amo.
Meses depois, terminado o namoro sem beijos de despedida, saio do carro trancando o choro, ainda que o rompimento tenha sido resolvido de comum acordo. Abro a porta e já estou com uma perna pra fora quando ouço, sem nenhuma aflição por mim, apenas consciência de que não teríamos mais notícias um do outro: te cuida. Me cuidei. Só chorei quando já estava dentro do elevador.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Amor
Amor, quem souber o seu real significado que atire o primeiro comentário.
O que é isso que muitos chamam de sentimento incondicional? Eu percebo, às vezes, que as pessoas esqueceram tanto o significado do amor quanto o do incondicional.
Como você me explica o fato de uma mãe adotar uma criança, cria-la como se o mesmo fosse um filho biológico, mas essa mesma mãe não consegue entender o que seu filho nasceu pra ser, o que seu filho escolheu ser. O amor incondicional de mãe está mesmo condicionado às escolhas que esse filho faz?
E o que dizer dos pais biológicos que ao invés de conversar, preferem fingir que não sabem, ou quando são expostos a realidade repudiam seus filhos não dando oportunidade pra suas crias falarem o que estão sentindo.
Bater seria mesmo o caminho? Eu mesma fui vítima quando descobriram qual era a minha opção. Conversar, ninguém aqui quer, mas na primeira oportunidade foram 7 tapas. E aí isso é amor?
Alguém esqueceu do amor próprio. Só as pessoas que estão incluídas no socialmente correto é que podem ter isso, certo? Parece que sim.
Julgar àquele que escolheu ser diferente ou igual a você é fácil. Difícil é se olhar no espelho e saber se você é aquilo que você realmente vê, ou se isso tudo é a máscara do amor incondicional que as pessoas devem ter somente pelos iguais, e não pelo próximo.
Eu ainda não consegui definir o amor que eu sinto diferente do que eu sinto. Simples, puro, paciente, benigno.
Poderia agora te dar todas as definições dos grandes autores dessa pequena palavra, mas eu prefiro fazer com você o que eu mesma e os que vivem comigo me fizeram aprender, pense, reflita. O que é o amor?
O que é isso que muitos chamam de sentimento incondicional? Eu percebo, às vezes, que as pessoas esqueceram tanto o significado do amor quanto o do incondicional.
Como você me explica o fato de uma mãe adotar uma criança, cria-la como se o mesmo fosse um filho biológico, mas essa mesma mãe não consegue entender o que seu filho nasceu pra ser, o que seu filho escolheu ser. O amor incondicional de mãe está mesmo condicionado às escolhas que esse filho faz?
E o que dizer dos pais biológicos que ao invés de conversar, preferem fingir que não sabem, ou quando são expostos a realidade repudiam seus filhos não dando oportunidade pra suas crias falarem o que estão sentindo.
Bater seria mesmo o caminho? Eu mesma fui vítima quando descobriram qual era a minha opção. Conversar, ninguém aqui quer, mas na primeira oportunidade foram 7 tapas. E aí isso é amor?
Alguém esqueceu do amor próprio. Só as pessoas que estão incluídas no socialmente correto é que podem ter isso, certo? Parece que sim.
Julgar àquele que escolheu ser diferente ou igual a você é fácil. Difícil é se olhar no espelho e saber se você é aquilo que você realmente vê, ou se isso tudo é a máscara do amor incondicional que as pessoas devem ter somente pelos iguais, e não pelo próximo.
Eu ainda não consegui definir o amor que eu sinto diferente do que eu sinto. Simples, puro, paciente, benigno.
Poderia agora te dar todas as definições dos grandes autores dessa pequena palavra, mas eu prefiro fazer com você o que eu mesma e os que vivem comigo me fizeram aprender, pense, reflita. O que é o amor?
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