terça-feira, 29 de novembro de 2011

Saudades

Ando com saudades das coisas que passaram pela minha vida. São só quase vinte e um anos, e eu já passei por coisas que não gostaria de lembrar e outras que, não do mesmo jeito, mas gostaria de viver de novo.

Saudades do tempo em que ficava trancada dentro de um quarto trocando sonhos, acrescentando personagens à nossas estórias de contos de fadas, minha irmã, a que se sentia a gata borralheira, hoje vive a iminência de um grande futuro ao lado de seu príncipe... Ah que saudade!

Saudade das pessoas que passaram pela minha vida, os meus primeiros amores, que hoje vivem suas vidas, são casados, são aventureiros, são pessoas distintas, mas que mexeram igualmente com meu coração.

Saudade de ter inspiração pra escrever como tinha antes. Estou a três semanas de férias e só hoje consegui.

Saudade do meu grande amor. De quem amo, que de agora a um pouco mais de tempo atrás já está me fazendo falta por antecipação.

Saudade das pessoas que eu conheci e que eu aprendi a amar, mesmo com nossas diferenças. Que hoje ou elas estão longe de mim, ou eu estou longe delas... Mas mesmo assim as amo.

Saudade do tempo que tive e que gastei aprendendo, seja no trabalho, seja na faculdade.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Bela e a Fera

Deram-me um nome, um sobrenome,
Um código de barra, um número,
Um cartão de credito, uma senha,
Um batom, um esmalte,
Um vestido, um sonho...
(Moldaram-me subordinada...)
Adquiri um codinome, fundei outra linhagem.
Decifrei o código, troquei o número,
Perdi o cartão, esqueci a senha...
(E mantive-me acordada...)
Com o batom, que era vermelho,
Fiz poemas cubistas no espelho
E, como não me deram pincel e nem tela,
Com o esmalte, fiz aquarelas
(Ilusinistas, impressionistas
surrealistas e amarelas...)
Quanto ao vestido azul-turquesa,
Pra provar que não sou sua,
Rasguei e fiz uma "Tereza"
E eis-me livre... e leve... e nua...
Deram-me uma estrada... e era torta.
Deram-me uma porta... e era fechada...
Porém, soltei pela janela
Mudei minha rota!...

Ivone Mendes*


*Ivone Mendes é poeta feminista militante do movimento LGBT (PCdoB).
Faz parte da direção do MPM (Movimento Popular da Mulher) de Belo Horizonte/MG.

(extraído da "Cartilha dos direitos da MULHER" Jô Moraes.)

terça-feira, 19 de julho de 2011

To com vontade de você

To com vontade de você,
Te encher de beijos,
Sentir teu cheiro,
Fazer amor.

To com vontade de você,
Fazer carinho,
Sentir seus denguinhos,
Seguido sempre de risinhos...

To com vontade de você,
Estar simplesmente do seu lado,
Compartilhar um leve roçar de mãos
Em carinhos subentendidos.

To com vontade de você,
De trocar olhares explícitos,
Num milésimo de segundo de distração alheia,
Dizendo o quanto estou com vontade de você.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

100 sonetos de amor

É assim que te quero amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas os cabelos e como a tua boca sorri,
ágil como a água da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada.
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde vem,
nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo.

Pablo Neruda

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Me diz...

Ah, vai! Me diz o que é o sossego...
Se eu não tenho você do meu lado.
Se quando eu abro os olhos e vejo que foi só mais um sonho,
Que a cama está grande, fria e eu, continuo sonhando acordado.

Me diz o que é o sossego se eu não tenho o calor dos teus braços,
Enquanto a noite está fria, e
Tudo o que eu queria,
Era um beijo e um abraço pra ficar aconchegado.

Me diz o que é o sossego
Se pela manhã, o teu sorriso me faz falta.
Se a cama continua vazia,
E é a solidão implacável que está em pauta.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Te Cuida

A gente sai de casa para ir numa festa ou para pegar a estrada, e antes que a porta atrás de nós se feche, ouvimos a voz deles, pai e mãe: te cuida. A recomendação sai no automático: tchau, te cuida. Um lembrete amoroso: te cuida, meu filho. A vida anda violenta, mas a gente não dá a mínima para este "te cuida" que a gente ouve desde o primeiro passeio do colégio, desde o primeiro banho de piscina na casa de amigos, desde a primeira vez que saímos a pé sozinhos. Pai e mãe são os reis do "te cuida", e a gente mal registra, tão acostumados estamos com estes que não fazem outra coisa a não ser querer nosso bem e nos amar para todo sempre, amém.

No entanto, lembro da primeira vez em que estava apaixonada, me despedindo dentro do carro, entre beijos mais do que bons, com aquele que devia ser um moleque mas para mim era um homem, e um homem estranho, uma vez que não era pai, irmão, primo, amigo ou colega. Depois do último beijo, abri a porta do carro e, antes de sair, ouvi ele dizer com uma voz grave e sedutora: te cuida.

Me cuidarei, pode deixar. Me cuidarei para estar inteira amanhã de novo, para te ver de novo, te beijar de novo. Me cuidarei para me tocares com suavidade, para nunca encontrares um arranhão sobre a minha pele. E cuidarei do meu humor, dos meus cabelos, cuidarei para não perder a hora, cuidarei para não me apaixonar por outro, cuidarei para não te esquecer, vou me cuidar.

Me cuidarei ao atravessar a rua, me cuidarei para não pegar um resfriado, me cuidarei para não ficar doente. Me cuidarei, meu amor, enquanto estiver longe dos teus olhos, nos momentos em que você não pode cuidar de mim.

Fica a meu encargo voltar pra você do mesmo jeito que você me viu hoje. É de minha responsabilidade não ficar triste, não deixar ninguém me magoar, não deixar que nada de ruim me aconteça porque você me ama e não agüentaria. Claro que me cuido, nem precisava pedir.

Te cuida, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um te amo.

Meses depois, terminado o namoro sem beijos de despedida, saio do carro trancando o choro, ainda que o rompimento tenha sido resolvido de comum acordo. Abro a porta e já estou com uma perna pra fora quando ouço, sem nenhuma aflição por mim, apenas consciência de que não teríamos mais notícias um do outro: te cuida. Me cuidei. Só chorei quando já estava dentro do elevador.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Amor

Amor, quem souber o seu real significado que atire o primeiro comentário.

O que é isso que muitos chamam de sentimento incondicional? Eu percebo, às vezes, que as pessoas esqueceram tanto o significado do amor quanto o do incondicional.

Como você me explica o fato de uma mãe adotar uma criança, cria-la como se o mesmo fosse um filho biológico, mas essa mesma mãe não consegue entender o que seu filho nasceu pra ser, o que seu filho escolheu ser. O amor incondicional de mãe está mesmo condicionado às escolhas que esse filho faz?

E o que dizer dos pais biológicos que ao invés de conversar, preferem fingir que não sabem, ou quando são expostos a realidade repudiam seus filhos não dando oportunidade pra suas crias falarem o que estão sentindo.

Bater seria mesmo o caminho? Eu mesma fui vítima quando descobriram qual era a minha opção. Conversar, ninguém aqui quer, mas na primeira oportunidade foram 7 tapas. E aí isso é amor?

Alguém esqueceu do amor próprio. Só as pessoas que estão incluídas no socialmente correto é que podem ter isso, certo? Parece que sim.

Julgar àquele que escolheu ser diferente ou igual a você é fácil. Difícil é se olhar no espelho e saber se você é aquilo que você realmente vê, ou se isso tudo é a máscara do amor incondicional que as pessoas devem ter somente pelos iguais, e não pelo próximo.

Eu ainda não consegui definir o amor que eu sinto diferente do que eu sinto. Simples, puro, paciente, benigno.

Poderia agora te dar todas as definições dos grandes autores dessa pequena palavra, mas eu prefiro fazer com você o que eu mesma e os que vivem comigo me fizeram aprender, pense, reflita. O que é o amor?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ainda bem...!

Ainda Bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá

Nos dias frios
Em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa heim?
Entre tantas paixões
Esse encontro nós dois
Esse amor

Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa heim?
Entre tantas paixões
Esse encontro nós dois esse amor

Entre tantas paixões
Esse encontro nós dois esse amor.

Vanessa da Mata


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A garota do Blog

Ela escrevia, colocava todo aquele sentimento
Na ponta do lápis,
E por vezes, na ponta dos dedos.
Tentava aliviar, aquilo era como uma válvula de escape.

Há anos tinha esse habito,
E nunca podia imaginar que
Além de algumas de suas fontes de inspiração,
Havia alguém que lia na calada, todas aquelas palavras...

Do inicio ao fim, aquele alguém já a conhecia,
Já a decifrava com apenas um olhar, literalmente.
Sim, ela estava apaixonada pela garota do blog.

Somente uma tela, era a sua única esperança.
Pedia aos céus apenas uma chance.
E esta lhe foi concedida.
Hoje ela é a inspiração da poetisa em questão, a sua garota do blog.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A verdade que o sol traz...

Meu corpo vira para o lado
Como um imã que puxa de encontro ao seu.
Aconchego e me acalmo ante ao teu calor,
Teu cheiro, teu corpo ainda com resquícios do nosso amor.
Fecho os olhos, e a paz reina.
Eu sei, desde o inicio que o motivo da minha paz
Está adormecido em meus braços,
Lembrando a cada respirar, que o mundo lá fora é um mero detalhe.
Com meu corpo já na forma do seu,
Adormeço...
Já é dia.
A claridade vem trazer consigo a verdade
Na cama, espaçosa e fria,
Nunca houve nada mais que um só corpo,
O meu.
Mesmo com o brilho do sol,
E com a constatação do mundo lá, adiante da janela
A única coisa que se mostra realmente clara,
É a dor da solidão. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

É só uma promessa

É você. Só você.
Só você me faz sonhar
Só você me faz querer, querer viver.
Viver pra ter você...

Ser tua, somente tua.
Cada toque, cada respiração,
Cada olhar,
Cada pulsar do meu coração.

Meus sonhos já são seus
Por lá eu te tenho a todo momento.
Cada vez que fecho os olhos,
É você quem eu vejo...

Sua beleza... Seu corpo...
Seu gosto... Nós...
Teu suor... Teu sorriso...
O teu olhar...

Em mim. Pra mim.
Essa imagem eu sempre vou levar comigo.
Sempre, pra sempre...
E em todas as vidas que eu viver.